Tamy Itsumo Otome ~[Hiatus]~: Cultura Japonesa

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Haikai



Haikai (em japonês: 俳句, Haiku ou Haicai?) é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Os poemas têm três linhas, contendo na primeira e na última cinco caracteres japoneses (isto é, sílabas), e sete caracteres na segunda linha[1]. Em japonês, haiku são tradicionalmente impressos em uma única linha vertical, enquanto haiku em Língua Portuguesa geralmente aparecem em três linhas, em paralelo[2].

O principal haicaísta foi Matsuô Bashô (1644-1694), que se dedicou a fazer desse tipo de poesia uma prática espiritual.

Haikai no Brasil

Segundo GOGA (1988), o primeiro autor brasileiro de Haicai foi Afrânio Peixoto, em 1919, através de seu livro Trovas Populares Brasileiras, onde prefaciou suas impressões a respeito do poema japonês:

“Os japoneses possuem uma forma elementar de arte, mais simples ainda que a nossa trova popular: é o haikai, palavra que nós ocidentais não sabemos traduzir senão com ênfase, é o epigrama lírico. São tercetos breves, versos de cinco, sete e cinco pés, ao todo dezessete sílabas. Nesses moldes vazam, entretanto, emoções, imagens, comparações, sugestões, suspiros, desejos, sonhos... de encanto intraduzível”[3].

Porém quem o popularizou foi Guilherme de Almeida, com sua própria interpretação da rígida estrutura de métrica, rimas e título. No esquema proposto por Almeida, o primeiro verso rima com o terceiro, e o segundo verso possui uma rima interna (A 2ª sílaba rima com a 7ª sílaba). A forma de haikai de Guilherme de Almeida ainda tem muitos praticantes no Brasil.

Outra corrente do haikai brasileiro é a tradicionalista, promovida inicialmente por imigrantes ou descendentes de imigrantes japoneses, como H. Masuda Goga e Teruko Oda. Esta corrente define haikai como um poema escrito em linguagem simples, sem rima, estruturado em três versos que somem dezessete sílabas poéticas; aonde cinco sílabas no primeiro verso, sete no segundo e cinco no terceiro. Além disso, o haikai tradicional deve conter sempre uma kigo. Estas são palavras ou frases, utilizadas na poesia japonesa, que têm uma associação com uma estação do ano. (Ex.: "sakura", "flor de cerejeira", é associada à Primavera).

Como fonte nipônica do ainda haiku, em sua forma original, GOGA [3] atribui aos imigrantes japoneses, que começa com a chegada do navio Kasato Maru ao porto de Santos em 18 de junho de 1908. Nele estava Shuhei Uetsuka (1876-1935), um bom poeta de haiku, conhecido como Hyôkotsu. Consta ter sido a sua primeira produção, momentos antes de chegar ao porto de Santos, o seguinte haiku:

A nau imigrante
chegando: vê-se lá do alto
a cascata seca.

É na década de 30 que acontece o intercâmbio e difusão do haiku entre haicaístas japoneses e brasileiros, constituindo assim outro caminho do haikai no Brasil. É nesta década também que aparece a mais antiga coletânea de haikais chamada simplesmente Haikais, de Siqueira Júnior, publicada em 1933. Guilherme de Almeida, no ano anterior, havia publicado Poesia Vária, mas o livro não era exclusivamente de haikais. Fanny Luíza Dupré foi a primeira mulher a publicar um livro de haikais, em fevereiro de 1949, intitulado Pétalas ao Vento – Haicais. As rotas do haikai no Brasil podem ser resumidas cronologicamente da seguinte forma:

* Em 1879, através do livro Da França ao Japão, de Francisco Antônio Almeida.
* Em 1908, através da chegada dos imigrantes japoneses no porto de Santos.
* Em 1919, através do livro Trovas Populares Brasileiras de Afrânio Peixoto.
* Em 1926, através do cultivo e difusão do haiku dentro da colônia por Keiseki e Nenpuku.
* Na década de 30, através do intercâmbio entre haicaístas japoneses e brasileiros, principalmente pelo próprio H. Masuda Goga, conforme já vimos.

Com a ambientação e a difusão do haiku em língua portuguesa, algumas correntes de opinião [3] sobre o mesmo se formaram:

* A corrente dos defensores do conteúdo do haiku;
* A corrente dos que atribuem importância à forma;
* A corrente dos admiradores da importância do kigo.

Os defensores do conteúdo do haiku são aqueles que consideram algumas características do poema peculiares, como a concisão, a condensação, a intuição e a emoção, que estão ligadas ao zen-budismo. Oldegar Vieira é um haicaísta que aderiu a essa corrente.

Os que consideram a forma (teikei) a mais importante seguem a regra das 17 sílabas poéticas (5-7-5). Guilherme de Almeida não só aderiu a essa corrente como criou uma forma peculiar de compor os seus poemas chamados de haikais “guilherminos”. Abaixo, a explicação da forma conforme o gráfico que o próprio Guilherme elaborou:

_______________ X
___ O ______________ O
_______________ X

Além de rimar o primeiro verso com o terceiro e a segunda sílaba com a sétima do segundo verso, Guilherme dava título aos seus haikais. Exemplo (GOGA, 1988, p. 49):

Histórias de algumas vidas

Noite. Um silvo no ar,
Ninguém na estação. E o trem
passa sem parar.

Os admiradores da importância do kigo vão respeitar em seus haikais o termo ou palavra que indique a estação do ano. Jorge Fonseca Júnior é um deles. Apesar de haver essas distinções retratadas aqui como correntes, nomes como o de Afrânio Peixoto, Guilherme de Almeida, Waldomiro Siqueira Júnior, Jorge Fonseca Júnior, Wenceslau de Moraes, Oldegar Vieira, Abel Pereira e Fanny Luíza Dupré são referências na história do haikai no Brasil.

Exemplos

no despenhadeiro
a sombra da pedra
cai primeiro
Carlos Seabra


outro outono
no chão entre as folhas
sonhos do verão
Ricardo Silvestrin


primeira folha de outono
no chão começa
o meio do ano.


fim do dia
porta aberta
o sapo espia
Alice Ruiz


pétalas de rosa
a contar-lhe uma história --
sonho de mulher
Chris Herrmann


Ah, mosca de inverno
- questão de dia ou de hora
seu último instante?
Masuda Goga


Florada de ipês!
Meu pai também se alegrava
Em tarde como esta...
Teruko Oda


Dia de Finados
Formigas carregam
Pétalas que caem.
Jorge Lescano


início de outono --
no caminho vão sumindo
as vozes dos amigos.


vento de inverno:
o gato de olho vazado
procura seu dono
Edson Kenji Iura

Para quem viaja ao encontro do sol,
é sempre madrugada
Helena Kolody

Pintou estrelas no muro
e teve o céu ao
alcance das mãos
Helena Kolody

O ipê distraído
pinta de amarelo
a grama do parque
Jorge Fernando dos Santos

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009



É a arte teatral clássica do Japão que possui influências do Budismo e do Shintoísmo. É um espetáculo sério, quase sempre de cunho religioso. Um drama lírico onde os atores principais usam máscaras e executam movimentos lentos de dança, altamente estilizada ao acompanhamento de cânticos e instrumentos musicais.

O teatro noh é interpretado apenas por homens. Além de usar máscaras, os atores falam e cantam de uma maneira monótona, acompanhados por um coral e de tradicionais instrumentos musicais japoneses. As restrições formalizadas pela rigidez do traje, o uso da máscara e o padrão determinado de movimentos ocultam a individualidade do ator. As máscaras utilizadas nos espetáculos podem representar pessoas, demônios, divindades ou animais. São confeccionadas em madeira ou papel machê e revelam as expressões dos personagens.

Dotado de refinamento e simbolismo, o no foi criado no século XIV, por Kan'ami e seu filho Zeami, que introduziram inovações e refinamentos no sarugaku (entretenimento popular derivado de antigas fontes nativas e estrangeiras). Tradicionalmente, as peças do teatro noh são muito longas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sake



Sake ou nihonshu é uma bebida alcoólica japonesa, basicamente feita de grãos de arroz e água. A palavra sake no Japão também é usada para designar qualquer bebida alcoólica.

Fermentado com arroz e água, essa é a bebida alcoólica japonesa desde os tempos antigos. O teor alcoólico do sake, que pode ser bebido gelado ou quente, varia entre 15% e 20%. Para produzir um sake refinado e de bom sabor, é necessário um arroz de alta qualidade, água mineral, tonel de boa qualidade, como o fabricado com pinheiro de Yoshino, um competente especialista em fabricação, temperatura propícia para a fermentação, entre outras condições.

A história do sake remonta ao século VIII, ano em que foram admitidas em Heiankyo (atual Kyoto) pessoas encarregadas de produzir sake para o Palácio Imperial. O sake era uma importante oferenda nas atividades religiosas e, era comum saboreá-lo após a oferenda. Muito utilizado em festividades ligadas à agricultura, em casamentos e despedidas, o sake refinado tornou-se popular na segunda metade do século XVIII (Período Edo). Há duas variedades de sake refinado: karakuchizake (sake seco) e o amakuchizake (sake doce).

Daruma

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Dentre muitos talismãs (enguimonô) existentes no Japão, o "Daruma-san" (Sr.Daruma) é muito procurado pelo povo e pelos turistas em virtude dele trazer-lhe paciência de Jó, luta e realização do seu sonho e finalmente sucesso nas atividades profissionais.

Na China antiga havia um bonzo chamado DARUMA, o qual queria saber a verdade da vida. Após várias tentativas a procura da prática ascética, nada conseguiu. Finalmente então, ele decide sentar-se em frente à parede de um templo, meditando sobre a vida, até chegar a uma gama verdadeira, ou seja, à essência da vida.
Ao passar um ano ele nada conseguiu. Após dois anos, nada. Após três anos, nada.... Assim, quando ele atingiu o nono ano de meditação, finalmente conseguiu chegar ao reconhecimento sobre a verdadeira essência da vida. DARUMA é o fundador da religião ZEN BUDISMO.

A religião ZEN BUDISMO foi levada para o Japão no início do século 12. Mais tarde, na época de MUROMACHI-JIDAI (1333 a 1568), surge no Japão o boneco "DARUMA" na mesma posição em que Sr.Daruma sentava-se para meditação bem como imitando bonecos teimosos trazidos da China. Assim, começou a propagar como sendo uma decoração.

Em meados da época de EDO (1603 a 1868), chegou ao formato atual. Nessa época já havia no âmago do povo japonês o sentimento de se proteger usando o DARUMA como um talismã para evitar de todos os males existentes na colheita agrícola, caça e pesca... Desde então, o talismã DARUMA é utilizado nas casas comerciais, nos lares e no decorrer do tempo, pelos políticos em campanha eleitoral.

O povo japonês costuma comprar esse boneco que é vendido em barraquinhas localizadas próximo aos templos e santuários , no ano novo, para que se concretize o sonho depositado no ano que se inicia. Ao comprá-lo, vem sem os olhos: quando você quiser que o seu desejo se realize, pinte um dos seus olhos e, se o pedido for atendido, o outro deverá ser pintado em sinal de gratidão.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Maneki Neko

Maneki Neko CB Pictures, Images and Photos

Entre os mais conhecidos talismãs (engimono) está o manekineko, um gato com uma pata levantada. Esta figura é vista no Japão como símbolo de boa sorte, acenando para a prosperidade e sucesso nos negócios, com a sua pata curvada.

O gesto do manekineko que parece ser um convite, na verdade é o gesto de um gato limpando seu rosto.

O gato é um animal tão sensitivo, que pressente a chegada de uma pessoa ou a aproximação de chuva. Essas mudanças em sua rotina, o deixam inquieto. Então, ele começa a dar voltas ou esfregar seu rosto, pois esse tipo de comportamento tranqüiliza-o. Mas para um ser humano isso pode ser interpretado como “se o gato esfrega seu rosto, é sinal de chuva ou de visita”. Essa pode ser uma das origens da lenda do manekineko.

Como o gesto do gato esfregando seu rosto assemelha-se a um aceno, as pessoas começaram associar que, colocando a figura de um gato levantando uma pata dianteira, as pessoas viriam.

Ele usa uma coleira vermelha com um sino. Isso é uma lembrança dos costumes do período Edo (1603 - 1867), quando o gato era um animal de estimação caro. As damas da corte agradavam seus gatos, colocando-lhes coleiras vermelhas, feitas de hi-chiri-men (tipo de tecido de luxo da época) e pequenos sinos para vigiá-los.

Geralmente o manekineko segura um koban (uma moeda dourada do período Edo). Contudo, o koban real é de um ryo; o koban do manekineko é de dez milhões de ryo. Ou seja, a moeda fictícia é um símbolo de riqueza e prosperidade.

Obs.: Atualmente eles são fabricados em variedades, como cores diferentes para justificar um desejo específico (preto para proteção; rosa para o amor; dourado para dinheiro; vermelho para saúde; o gato manchado dá boas-vindas aos clientes e traz sucesso empresarial e felicidade pessoal). Além das cores, existem os gatos com a pata esquerda ou direita levantada. Dizem que a pata esquerda atrai riqueza e bens materiais; e a pata direita atrai a pessoa amada ou ajuda a encontrar um grande amor. Mas, apesar dessas inúmeras versões sobre cores e patas, até hoje nenhuma é realmente considerada verdadeira.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Hinamatsuri - dia das meninas



No dia 3 de Março é comemorado no Japão o dia das meninas ou Hinamatsuri.
A data é para pedir felicidade e saúde para as meninas da família. Na Era Heian, as famílias da nobreza japonesa iniciaram a prática do nagashibina, isto é, faziam bonecas simples de papel, pano, porcelana e as depositavam nos rios e nos mares, pedindo que levassem consigo as doenças e os males que estivessem destinados às meninas. Entretanto, as crianças da família imperial passaram a brincar com bonecas mais elaboradas que, em pouco tempo, tornaram-se tão complexas que começaram a enfeitar os aposentos. A partir da Era Edo são montados os hinadan, plataformas com vários andares sobre os quais são dispostas as bonecas.

hinamatsuri dolls Pictures, Images and Photos

As bonecas representam a antiga corte imperial do período Heian (794-1192). O número de bonecas e de andares da plataforma variam (assim como os preços), mas em geral são 15 bonecas dispostas em cinco ou sete andares. No andar mais alto ficam duas bonecas representando o imperador (Odairisama) e a imperatriz (Ohinasama), iluminados por duas lanternas (Bombori).

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Nos andares de baixo ficam:

- três damas de companhia e bandejas com bolinhos de arroz
- cinco músicos da corte
- dois ministros, tendo entre eles bolinhos de arroz em forma de diamantes
- uma laranjeira, uma cerejeira e três criados da corte
- vários móveis e utensílios domésticos em miniatura



Na data, costuma-se comer doces feitos de arroz chamado Hina Arare e bebe-se um tipo especial de saquê branco e adocicado, o Shirozake.

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A música cantada no Hina Matsuri se chama Ureshii Hinamatsuri (Dia das bonecas feliz) e a sua letra é assim:

Akari o tsukemasho, bombori ni, (vamos acender as lanternas)
O hana o agemasho, momo no hana. (vamos oferecer flores de pêssego)
Go-nin bayashi no fue taiko, (cinco músicos da corte tocarão tambores e flautas)
Kyo- wa tanoshi- Hina matsuri. (hoje é o divertido dia das bonecas)

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As plataformas são montadas mais ou menos na metade de Fevereiro e, segundo a superstição, devem ser desmontadas logo após a comemoração, no máximo até o dia 4. Caso contrário, acreditam que suas filhas demorarão a casar!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O Dia Dos Meninos


Tradicionalmente no dia 5 de maio comemora-se no Japão o Dias dos Meninos. Conhecido pelas gerações mais antigas como Tango no Sekku (Festival Tango) ou Shogu no Sekku (Festival das Flores de Íris), o Festival dos Meninos tornou-se feriado nacional em 1948 e foi renomeado anos mais tarde como Kodomo no Hi, ou seja, Dia das Crianças.

Apesar da mudança do nome, observa-se que a maioria das famílias japonesas ainda mantém a tradição de celebrar os meninos e não as crianças´. É costume, por exemplo, pendurar no exterior das casas flâmulas em forma de carpas voadoras (Koinobori), símbolo de sucesso e prosperidade, e enfeitar a sala da casa com bonecos de guerreiros (Mushaningyo).

O objetivo de tudo isso é encorajar a masculinidade e o êxito nas empreitadas da vida.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O que são Gueixas?

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Gueixa (芸者, geisha?) ou Gueigi (芸妓, geigi?) são mulheres japonesas que estudam a tradição milenar da arte da sedução, dança e canto, e se caracterizam distintamente pelos trajes e maquiagem tradicionais. Contrariamente à opinião popular, as gueixas não são um simples equivalente oriental da prostituta. Elas não trabalham com sexo. Podem chegar a flertar, mas seus clientes sabem que não irá passar disso, e esse é o fato que muitos homens se encantam com a cultura de uma gueixa. No Japão a condição de Gueixa é cultural, simbólica repleta de status, delicadeza e tradição. São em muitos aspectos similares às Kisaeng coreanas. O termo geiko (芸子) é também usado no dialecto de Quioto para descrever as gueixas, especialmente no bairro Hanamachi. Ao contrário do que se verificava nos séculos XVIII e XIX, as gueixas são atualmente em número bastante mais reduzido. Maiko (舞妓, Maiko?) é o termo utilizado para designar uma gueixa aprendiz. O elegante, mundo de alta cultura de que a gueixa faz parte é chamado karyūkai (柳界 "a flor e mundo de salgueiro"). Uma gueixa famosa, Mineko Iwasaki, disse que isso é porque "gueixa é como uma flor, bela em seu próprio estilo, e como um salgueiro, graciosa, flexível, e forte." Outra importante gueixa foi Kiharu Nakamura.

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Sobre o nome:

"Gueixa" (AFI: [/ˈgeɪ ʃa/]) é um nome próprio e, como todos os nomes japoneses, não tem variantes no número gramatical. A palavra original consiste em dois kanji, 芸 (gei), que significa "arte" e 者 (sha), que significa "pessoa" ou "praticante". A tradução literal de geixa para a língua portuguesa será "artista" ou mesmo "entertainer".

O termo geiko é também usado na região Kansai para distinguir gueixas tradicionais e onsen gueixa (ver abaixo), que são prostitutas que se vestem de forma similar, à excepção do Obi que, no caso das primeiras, é trajado nas costas, enquanto que nestas é trajado à frente — ressalva-se que o Obi é uma parte da indumentária de uma gueixa difícil de vestir, pelo que o facto de ter que ser retirado sistematicamente para a prática promíscua é uma razão para ser vestido desta forma. Pelo mesmo motivo, as verdadeiras gueixas dispunham de ajuda profisional (de um vestidor) para serem assistidas no difícil processo de se vestirem. O traje é composto por várias camadas de quimono e roupa interior, enquanto que o Obi é mais do que um simples cinturão de tecido. Com efeito, uma gueixa poderá demorar-se a vestir mais de uma hora, mesmo com ajuda. Na China a palavra gueixa é traduzida como "yi ji", que soa como "ji" e tem relação com a prostituição.

As gueixas aprendizes são designadas maiko, que é construída a partir dos kanji 舞 (mai), que significa "dançarino/a" e 妓 (ko), que significa "criança". Curiosamente, foram as maiko que, com a sua maquilhagem branca, quimonos elaborados e penteado característico — em forma de pêssego — se tornaram no estereótipo das gueixas para os ocidentais.

As gueixas de Tóquio não seguem, contudo, o processo ritualizado de aprendizagem maiko característico de Quioto. O período de treino pode ir de seis meses a um ano — substancialmente inferior ao da maiko de Quioto — até ao seu debute como uma gueixa completa. A aprendiza é referida como han'gyoku (半玉) ou "meia-jóia", ou pelo termo mais genérico o-shaku (御酌), literalmente, "aquela que verte (álcool)". Em média, as gueixas de Tóquio são mais velhas que as homónimas de Quioto, muitas delas chegando a dispor de algum grau académico.

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História:

A gueixa é mais moderna do que muitas pessoas pensam. Houve algumas mulheres que trabalharam como artistas antes de que a gueixa aparecesse, desde o Período Heian (794–1185); mas as gueixas verdadeiras pareceram muito depois. Em 1589, Hideyoshi Toyotomi autorizou a construção de um edifício na vizinhança de Quioto, fechado do exterior com paredes. Foi chamado Shimabara, e foi dedicado ao prazer. Isto incluiu artes de desfrute, bebida, e prostituição luxuosa. As cortesãs (chamadas oiran 花魁) trabalhavam como prostitutas caras, e atraíram clientes ricos. Muitos artistas também trabalhavam nas mesmas casas, entretendo os clientes com música, danças e poesia. Durante um longo tempo, esses artistas foram homens, e eles chamaram-se "gueixa" (artistas), "hōkan" (gracejadores) ou "taikomochi" (tamborileiros, porque eles tocavam o taiko, um tambor japonês).

Como muitas coisas na cultura japonesa, o mundo de cortesãs ficou muito complicado. Cada homem que desejava estar com uma oiran tinha de seguir rituais difíceis e etiqueta, e só o muito rico e nobre poderia. Por essa razão, muitas casas de chá (ochaya) apareceram fora de Shimabara. Em alguns deles, algumas mulheres praticaram a prostituição mais barata, o "sancha-joro". Contudo outras mulheres, chamadas "odoroki" (meninas dançarinas), atuavam como dançarinas e musicistas. Essas mulheres logo ficaram muito populares. Elas começaram a chamar-se "gueixas", como os artistas masculinos que trabalhavam em Shimabara. Mais ou menos ao ano 1700, as gueixas femininas ficaram muito mais populares do que os masculinos. Alguns anos depois, quase todas as gueixas eram mulheres.

O governo fez leis que proibiam gueixas de trabalhar como prostitutas, e só lhes deram a permissão de atuar como artistas. Uma dessas leis disse que eles tiveram de atar o seu obi (帯 faixa) nas costas, fazendo-o ser mais difícil de tirar do quimono. O seu penteado, a maquilagem e o quimono também tiveram de ser mais simples do que das oirans, porque a sua beleza teve de estar na sua arte, não os seus corpos. Logo, as gueixas ficaram tanto mais populares do que as oirans, que no ano 1750 toda as oirans tinham desaparecido. Outras novas vizinhanças de gueixa (hanamachi) foram criadas em Quioto e outras cidades. Antes do século 19, as gueixas estiveram em melhor posição do que mulheres comuns, mas eles também tiveram problemas na sociedade japonesa. Às vezes, pessoas pobres vendiam suas filhas às casas de chá hanamachi. Alguns homens ricos, chamados danna (patronos) pagavam muito dinheiro para adquirir-se a atenção pessoal de uma gueixa. As gueixas não podiam mais casar-se, portanto elas podiam ter um danna (patrão) para pagar para as suas despesas. Outros homens pagavam muito dinheiro para tomar a virgindade das novas meninas (mizuaje). Mas a reputação e respeito às gueixas cresceu novamente na Restauração Meiji, e até mais depois da Segunda Guerra Mundial. As leis importantes que as protegem foram criadas. As meninas jovens não podem mais serem vendidas às casas de chá, e a virgindade de gueixas jovens não pode ser comprada. Desde então, as mulheres só se tornam gueixas pela sua própria vontade.

blond geisha Pictures, Images and Photos

Treino

Tradicionalmente, uma gueixa iniciaria o seu treino em tenra idade. Não obstante algumas delas serem vendidas para casas de gueixas (okiya) ainda muito novas, esta não era uma prática comum nos distritos de melhor reputação. Era frequente, porém, que as filhas de gueixas se tornassem gueixas também, como sucessoras (atatori, que significa herdeiro).

O primeiro estágio deste treino designava-se por shikomi. Assim que as raparigas chegavam à okiyaa, eram colocadas ao serviço doméstico, realizando as tarefas domésticas tal como as criadas. O trabalho era propositadamente difícil para forçar a transformação das raparigas à nova casa, e à nova vida que se lhe apresentaria pela frente. A shikomi mais nova estaria encarregue de esperar acordada pela gueixa mais velha à noite, enquanto esta não regressasse dos seus compromissos, muitas vezes para além das duas e três da madrugada. Durante este estágio, a shikomi frequentaria as aulas na escola de gueixas da sua zona (hanamachi). Actualmente, este estágio persiste, principalmente para acostumar as raparigas ao dialecto tradicional, tradições e vestuário dos karyūkai.

Assim que se verificasse a proeficiência artística da aprendiza, e completasse este estágio mediante um difícil exame final de dança, a iniciada passaria ao segundo estágio: minarai. Neste nível, a minarai é dispensada dos deveres domésticos para desenvolver e exercitar o treino anterior, já fora de casa e da escola, seguindo o exemplo de uma gueixa mais experiente — a sua onee-san, ou "irmã mais velha" — cuja ligação simbólica é celebrada através de um ritual. Embora já participem em ozashiki (banquetes em que os convidados se fazem acompanhar de gueixas), não participam a um nível avançado; os seus quimonos, mais elaborados que os das maiko, são concebidos para deslumbrar quanto baste, para compensar. Embora as minarai já possam ser contratadas para festas, tipicamente não são convidadas para as festas em que a sua onee-san participe — são, porém, sempre bem-vindas. Tipicamente, uma minarai cobra 1/3 hanadai, e trabalha em conjunto com uma casa de chá (designada minarai-jaya), aprendendo com a oka-san, i.e., a proprietária. As técnicas desenvolvidas neste estágio não são sequer ensinadas na escola, já que o nível de conversação e brincadeiras só poderá ser desenvolvido através da prática. Este estágio dura, em média, apenas um mês.

Após um breve período, inicia-se o terceiro (e o mais famoso) estágio: maiko. As maiko são aprendizes de gueixa e podem permanecer neste estágio durante vários anos, aprendendo através da sua irmã mais velha e seguindo-as para os seus compromissos. A relação irmão mais velha/irmã mais nova (onee-san/imoto-san) torna-se, assim, de extrema importância, já que a movimentação adequada da maiko em toda a hanamachi irá depender da sua irmã mais velha, que já estabeleceu contactos e relações de amizade. Para além disso, é à onee-san que cabe a transmissão do saber entreter os convidados, como as técnicas de sedução, como servir o chá, jogar shamisen, dançar, manter uma conversa casual, e tudo o necessário para que a maiko se torne conhecida e solicitada para futuros convites a casas de chá e reuniões. A onee-san ajudará a aprendiza a escolher o seu nome profissional, tipicamente através de kanji ou símbolos relacionados com o seu nome.

Ao final de um período suficientemente longo, e dependendo da região — em Tóquio seriam seis meses, enquanto que em Quioto seriam cinco anos — a maiko é promovida a gueixa, passando a cobrar o preço por inteiro. Este é o último estágio e durará até ao final da sua carreira.

memórias de uma gueixa Pictures, Images and Photos

Gueixas Modernas:

A gueixa moderna ainda vive nas tradicionais casas chamadas okiya em áreas chamadas hanamachi (花街 "cidades de flor"), particularmente durante a sua aprendizagem. Muitas gueixas experientes que são bastante prósperas decidem viver independentemente. O elegante mundo de alta cultura de que a gueixa faz parte é chamado karyūkai (花柳界 "a flor e mundo de salgueiro"). As mulheres jovens que desejam se tornar gueixas agora muitas vezes começam o seu treinamento depois de concluir o ensino fundamental ou até o ensino médio, com muitas mulheres que começam as suas carreiras na idade adulta. A gueixa ainda estuda instrumentos tradicionais como o shamisen, shakuhachi (flauta de bambu), e tambores, bem como canções tradicionais, dança tradicional japonesa, cerimônia de chá, literatura e poesia. Observando outra gueixa, e com ajuda do proprietário da casa de gueixa, as aprendizes também se tornam habilidosas nas complexas tradições ao redor, selecionando e usando quimono, e na relação com clientes.

Quioto é considerado, por muitos, o lugar onde a tradição de gueixa é a mais forte hoje em dia, inclusive Gion Kobu. A gueixa nesses distritos é conhecida como geiko. O Tóquio hanamachi de Shimbashi, Asakusa e Kagurazaka também é bem conhecido.

No Japão moderno, a gueixa e maiko são agora uma vista rara fora hanamachi. Nos anos 1920 houve mais de 80000 gueixa no Japão, mas hoje há muito menos. O número exato é desconhecido para estrangeiros, mas estima-se que esteja entre 1000 para 2000, maior parte na cidade resort de Atami. O mais comum é ver turistas que pagam uma taxa para se vestirem como uma maiko. Gueixa muitas vezes é contratada para assistir a festas e reuniões, tradicionalmente em casas de chá (茶屋, ochaya) ou em restaurantes japoneses tradicionais (ryōtei). O seu tempo é medido pela queima de um bastão de incenso, chamado senkōdai (線香代, "perfume com incenso a taxa de pau") ou gyokudai (玉代 "taxa de jóia"). Em Quioto os termos "ohana" (お花) e "hanadai" (花代), que significam "taxas de flor", são os preferidos. O cliente toma providências pelo escritório de união da gueixa (検番 kenban), que guarda o horário de cada gueixa e faz as suas designações tanto para entretenimento quanto para o treinamento.

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Gueixa e prostituição

Há algumas confusões, até dentro do Japão, sobre a natureza da profissão de gueixa. A gueixa é freqüentemente representada como prostitutas caras na cultura popular Ocidental. Gueixa são artistas, sendo seu objetivo entreter seus clientes recitando versos, tocando instrumentos musicais com conversas leves. Os compromissos de gueixa podem incluir o flerte com homens e insinuações graciosas; contudo, os clientes sabem que nada mais pode ser esperado. Em um estilo social que é unicamente japonês, os homens são maravilhados pela ilusão de que isso nunca vai acontecer. A gueixa não se ocupa no sexo pago com clientes.

A gueixa às vezes é confundida com as tradicionais cortesãs de alta-classe chamadas de Oiran. Como as gueixa, as oiran usam penteados complicados e maquilagem branca. Um modo simples de distinguir-se entre os dois consiste em que oiran, como prostitutas, atam o seu obi na frente, enquanto a gueixa o faz nas costas na maneira habitual. Durante o período Edo, a prostituição foi legal e as prostitutas como a oiran foram autorizadas pelo governo. Por outro lado, a gueixa foi estritamente proibida de manter uma licença de prostituição, e oficialmente proibida de fazer sexo com seus clientes. O acordo de autorização levou ao termo derrogativo 'registro duplo', referindo-se à gueixa promíscua.

Durante a ocupação do Japão, muitas prostitutas japonesas venderam-se como gueixa a soldados americanos. Essas prostitutas ficaram conhecidas como garotas geesha, devido a uma má pronúncia da palavra gueixa, levaram a imagem de gueixa como prostitutas aos Estados Unidos.

A gueixa que trabalha também em cidades onsen como Atami é chamada como onsen gueixa. Onsen gueixa tem dado uma má reputação devido à prevalência de prostitutas em tais cidades que a divulgam como ‘geisha’, assim como rumores sórdidos de rotinas dançantes como 'Rio Superficial' (que implica as 'bailarinas' levantarem as saias do seu quimono mais alto e mais alto). Em contraste com essas 'gueixas de uma noite', a onsen gueixa é uma verdadeira dançarina e musicista.

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Relações pessoais e danna

Espera-se que as gueixa sejam mulheres solteiras; aquelas que decidem casar devem se retirar da profissão.

Foi tradicional no passado de gueixa tomar um danna, ou o patrono. Um danna era tipicamente um homem rico, às vezes casado, que tinha meios de apoiar as despesas muito grandes relacionadas ao treinamento tradicional de uma gueixa e outros custos. Isto às vezes ocorre hoje em dia também, mas muito raramente.

Uma gueixa e o seu danna podem ou não estarem apaixonados, mas a intimidade nunca é tida como uma recompensa do suporte financeiro do danna. As convenções tradicionais e os valores dentro de tal relação são muito intricados e não bem entendidos, até por muitos japoneses.

Enquanto é verdadeiro que uma gueixa não pode ser paga por ter relações pessoais com homens que ela encontra pelo seu trabalho, tais relações são cuidadosamente escolhidas e improvavelmente são casuais. Um hanamachi tende a ser uma comunidade muito unida e a boa reputação de uma gueixa não é tomada facilmente.

sábado, 26 de setembro de 2009

O Festival de Tanabata

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Tanabata Matsuri (七夕) é uma comemoração de origem japonesa que ocorre na sétima noite do sétimo mês do ano.

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A celebração

O festival que celebra esta história de amor teve início na Corte Imperial do Japão há cerca de 1.150 anos, e lá tornou-se feriado nacional em 1603.

Atualmente o Tanabata é uma das maiores festas populares do Japão. É realizado em diversas cidades, o mais tradicional é o de Miyagui, que se realiza em agosto, aproveitando as férias de verão das escolas japonesas.
Decoração do Tanabata

No Brasil

No Brasil o primeiro festival Tanabata foi realizado na cidade de Assaí no Estado do Paraná no ano de 1978.

O Festival das Estrelas

Com o nome de "Festival das Estrelas", o Tanabata Matsuri é realizado na cidade de São Paulo, na Praça da Liberdade, no mês de julho, desde 1979.

Esta é a principal comemoração anual do bairro, incluída no Calendário Turístico do Estado e do Município de São Paulo:

* as ruas a praça são decoradas com grandes ramos de bambu ornamentados por enfeites de papel colorido que simbolizam as estrelas;
* tanzaku (短冊), pequenos pedaços de papel onde as pessoas colocam seus pedidos, são pendurados nesses bambus;
* são realizados também apresentações de tambores Taikô, danças folclóricas e shows de cantores.

Em 1994 o Festival Tanabata também foi introduzido no calendário oficial de eventos de Ribeirão Preto - SP no Parque Municipal do Morro do São Bento.

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O significado do sétimo dia do sétimo mês do calendário lunar

Assim como a Cultura Maia os costumes de Okinawa consideram a existência de uma relação entre a Lua e o Sol e observam a diferença de um dia entre estes dois calendários, que no Japão corresponde ao Tanabata.

A Lua gira em torno da Terra:

* A cada ano 13 vezes em ciclos de 28 dias, completando um ciclo anual de 364 dias (dividido por 7 = 52 semanas)
* A Terra gira em torno do Sol num ciclo que se completa em aproximadamente 365 dias
* A diferença entre estes ciclos do Sol (365 dias) e da Lua (364 dias) corresponde a 1 dia "(neutro)". Assim, o ano teria 52 semanas mais 1 dia neutro, o Tanabata, dia 07 do sétimo mês do calendário lunar.

Datas oficiais pelo calendário lunar

A data original do Tanabata é baseada no calendário lunisolar japonês, que é um mês atrasado que o calendário gregoriano. Com isso, alguns festivais são realizados no dia 7 de Julho e outros nos dias próximos ao dia 7 de Agosto, enquanto outros continuam comemorando no sétimo dia do sétimo mês lunar do tradicional calendário lunisolar japonês, que normalmente é em Agosto no calendário gregoriano.

As datas gregorianas para o "sétimo dia do sétimo mês lunar do calendário lunisolar japonês" para os seguintes anos são:

* 07/08/2008
* 26/08/2009
* 16/08/2010
* 06/08/2011
* 24/08/2012 (A data chinesa é 23/08/2012 por causa da diferença de horário.)
* 13/08/2013
* 02/08/2014
* 20/08/2015
* 09/08/2016
* 28/08/2017
* 17/08/2018
* 07/08/2019
* 25/08/2020

Canção tradicional

Há uma canção tradicional de Tanabata que é ensinada praticamente a todas as crianças japonesas:

Sasa no ha sara-sara (笹の葉 さらさら)
Nokiba ni yureru (軒端にゆれる  )
Ohoshi-sama kira-kira (お星様 キラキラ)
Kin Gin sunago (金銀砂ご)

Tradução aproximada:

As folhas do bambu, murmuram, murmuram,
balançam as pontas.
As estrelas brilham, brilham,
grãos de areia de ouro e prata.

domingo, 23 de agosto de 2009

Lendas Japonesas: Momotaro

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Há muito tempo, em uma vila distante, vivia junto um casal de velhinhos. Num certo dia, o velhinho colhia gravetos de madeira na montanha e a velhinha lavava roupas no riacho. Enquanto esfregava as roupas, ela viu um pêssego enorme flutuando no rio e, com alguma dificuldade, conseguiu alcançá-lo.

Ela carregou o pêssego para casa, parando diversas vezes no caminho para descansar. O velhinho chegou em casa no final da tarde e ficou muito contente quando viu o enorme pêssego. "Que lindo pêssego, parece delicioso!", disse o velhinho. Quando se preparavam para fatiá-lo, o pêssego se mexeu. "Esta vivo, está vivo", disse a velhinha.

De repente, um pequeno menino saiu de dentro do pêssego. Estarrecidos, os dois ficaram olhando e examinando. Como não tinham filhos, eles ficaram muito contentes e resolveram adotar o menino. Decidiram que seu nome seria Momotaro.

O tempo passou e, quanto mais o Momotaro crescia, mais saudável ficava. Numa certa noite, ele ouviu conversas sobre os Onis, monstros que atacavam as aldeias e assustavam os moradores locais. Ele ficou tão bravo que tomou uma decisão: iria à Ilha dos Onis para combatê-los.

A princípio, seu pais ficaram muito assustados, mas gostaram de ver a coragem do filho. Apesar do medo que sentiam, os velhinhos preparam diversos bolinhos, os kibidangos, para Momotaro levar na viagem.

Na manhã seguinte, Momotaro partiu, levando consigo os kibidangos. No caminho, ele encontrou um cachorro. "Momotarosan, Momotarosan, por favor, dê-me um bolinho e eu irei com você enfrentar os Onis", disse o cachorro. Momotaro deu-lhe um kibidango e o cachorro partiu com ele.

Mais adiante, encontraram um macaco. "Momotarosan, Momotarosan, o que você leva neste saquinho?". "São kibidangos, os deliciosos bolinhos, os melhores do Japão"." Pode me dar um? Assim eu irei com vocês". E assim foi feito. Momotaro, o cachorro e o macaco seguiram o caminho juntos e, mais à frente, viram um faisão. Ele também pediu e ganhou um kibidango e assim seguiram em quatro.

Após uma longa jornada eles chegaram ao mar. Remaram e remaram, enquanto o faisão voava e indicava o caminho, pois o céu estava escuro e coberto de nuvens. Quando chegaram à ilha dos Onis, tudo parecia assustador, os portões do castelo eram grandes e escuros, havia névoa e o dia estava escuro.

O macaco, com toda sua agilidade, escalou o alto portão e o destrancou por dentro. Todos entraram no castelo e deram de cara com os horrendos Onis, que se levantaram e encararam os quatro. "Sou Momotaro e vim enfrentá-lo". Travou-se então uma grande luta. O faisão voava e, com seu bico afiado, feria os inimigos. O cachorro corria em volta do Onis e lutava com dentadas, enquanto o macaco utilizava suas unhas.

Finalmente, após muita luta, Momotaro e seus companheiros derrotaram os Onis. "Nunca mais vamos invadir as aldeias e prejudicar os moradores, nós prometemos. Por favor, poupe nossas vidas ", disse o chefe dos Onis.

Compreensivo e bondoso, Momotaro perdoou os Onis. Em troca, o chefe ofereceu-lhe os tesouros que eles vinham roubando das aldeias, eram moedas de ouro, pedras preciosas e outros objetos de grande valor. Momotaro retornou para casa e, quando seus pais o viram, não puderam acreditar. Ele estava salvo e carregava um grande tesouro, que foi dividido entre todos os moradores da aldeia.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Lendas Japonesas: O Mito da Tartaruga.

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A Tartaruga (Kame em japonês), é um dos animais que simboliza a longevidade. Diz-se que ela vive até 10.000 anos !
O mito em torno da tartaruga diz que ela é uma dos quatro animais sagrados (os outros são: dragão, fênix e unicórnio).
O Kame sustenta o mundo em suas costas, e suas quatro patas, simbolizam os quatro pilares espirituais que seguram o planeta Terra.
Além disso, as marcas no casco de uma tartaruga representam as constelações do universo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Lendas Japonesas: A Lenda da Segonha

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O Tsuru (cegonha em japonês) é um dos animais que simbolizam a mocidade eterna e felicidade da Ásia.
Diz-se que ela vive 1000 anos. São, possivelmente, os pássaros mais velhos da Terra.
Era considerado o pássaro companheiro dos eremitas que faziam meditação nas montanhas. Como esses eram eremitas místicos, que supunham terem poderes sobrenaturais para não envelhecer, o tsuru, passou a ser considerado um pássaro possuidor de vida
longa.
É uma das aves mais conhecidas do Oriente, perdendo apenas para a Fênix, a ave que renasce das cinzas.
A cegonha é considerada a mãe de todas as aves e representa o canal entre o mundo dos vivos e dos
mortos.
Algumas vezes a imagem do tsuru é colocada em caixões, para que a alma do morto seja levada para o céu em suas costas.
Como um símbolo de longevidade, os japoneses costumam presentear os amigos com uma dobradura de
papel (origami) em forma de Tsuru.
Dizem que se você conseguir dobrar mil tsurus (enquanto mentaliza um desejo), este desejo será realizado !!!

domingo, 9 de agosto de 2009

Lendas Japonêsas: A Lenda do Judô

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Existem duas lendas que supostamente deram origem ao judô, uma japonesa e outra chinesa.
A lenda japonesa fala de um salgueiro e de uma cerejeira no inverno...
Os galhos da cerejeira quebravam tal fósforos sob o peso da neve, enquanto que o salgueiro, flexível, cedia, fazia a neve escorregar e não lhe dava chance de pressioná-lo.
Este é o princípio do Judô : “Ceder para Vencer”.

sábado, 18 de julho de 2009

Lendas Japonesas - Kin no ono - Machado de ouro



Era uma vez um casal de idosos que vivia sozinho numa cabana construída ao pé de uma montanha.
Um dia, o velhinho subiu a encosta em busca de lenha. Mas quando cortava uma árvore, o machado acabou se desprendendo do cabo, e caiu no lago que se formava sob uma cachoeira. Ele desceu até a margem, preocupado em recuperar aquela importante ferramenta de trabalho.
Enquanto se debruçava sobre as águas, o velhinho viu uma grande carpa se aproximando, trazendo um machado de ouro na boca. O peixe parou, oferecendo-lhe a peça. Mas o velhinho era honesto demais para aceitar algo que não lhe pertencia.
- Mas o meu machado é de ferro - disse o velhinho.
Ao ouvir isso, a carpa mergulhou novamente, voltando com a peça de ferro, já gasta pelo tempo.
O homem agradeceu e retornou para casa.
Mas no dia seguinte, ao acordarem, os dois idosos levaram um susto: o machado de ferro havia se transformado em uma peça de ouro maciço. Eles ainda estavam comemorando o acontecimento quando sua vizinha veio bater à porta para pedir emprestado um pouco de lenha. Ao ver a peça de ouro, os olhos da visitante brilharam, cheios de cobiça:
- Onde vocês conseguiram isso? - perguntou.
Então, o velhinho explicou toda a história.
A vizinha correu para casa, e contou o episódio para o marido, e pediu-lhe que fosse até a montanha cortar a árvore, no mesmo local onde o velho tinha ido. Ele foi e fingiu que estava cortando o tronco de uma árvore.
De repente, deixou cair o machado dentro do lago. Ao chegar à margem, viu a carpa gigante trazendo a ferramenta.
- Mas meu machado é de ouro, disse ao peixe.
A carpa mergulhou e aproximou-se dele com uma peça reluzente na boca. O homem mal conseguia se conter. Ansioso para colocar as mãos no machado de ouro, acabou se precipitando e caiu no lago, morrendo afogado.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Lendas Japonesas: Kasajizou

Há muito tempo atrás, em uma pequena aldeia do Japão, vivia um pobre velho e sua esposa.
Um dia, quase próximo ao Ano Novo, a esposa olhou a caixa onde guardava seu arroz e percebeu que não havia mais nenhum grãozinho... Eles estavam sem dinheiro nenhum e não havia sequer uma migalha de comida em sua casa... Um ratinho saiu da toca e disse a velhinha:
- Eu estou com muita fome vovó!!!
- Puxa, me perdoe meu ratinho - disse a velha - nós não temos nada para comer!!!
Então ela virou-se para o seu marido e lhe disse:
- Precisamos fazer algo... Até os ratos sentem fome!!!
Foi então que decidiram fazer chapéus, juntamente com a ajuda dos ratinhos...
Conseguiram fazer cinco. Então o pobre velhinho foi até a cidade vender e poder assim, conseguir um pouquinho de dinheiro para passar o fim de ano...
Era uma longa caminhada até a cidade, mas sua força de vontade lhe dava ânimo para suportar aquele frio e a fina neve que caia. Chegando a cidade, o velhinho começou a gritar:
- Olha o chapéu!!! Quem vai querer???
Ofereceu a um casal, mas a única resposta que ouviu foi:
- Para que vou querer isso???
E assim, passou o dia... Nenhum chapéu foi vendido e o velhinho começou sua caminhada de volta para casa, triste por não ter conseguido nenhuma moeda sequer...
A neve estava começando a ficar mais forte... No caminho encontrou as Estátuas de Pedra de "Jizo-Sama" com a cabeça já cobertas de gelo... Então pegou sua toalha e cuidadosamente começou a retirar a neve de cada um deles, ao mesmo tempo em que dizia:
- Infelizmente não tenho dinheiro para comprar comida e dar à vocês nessa festa de Ano Novo, pois não vendi nenhum chapéu sequer... Mas vou deixá-los aqui para protegê-los da neve!!!
O velhinho então, pegou o chapéu e começou a cobrir a cabeça de cada um, mas eram 6 estátuas e só tinha 5 chapéus...
- Puxa, vai faltar um chapéu... Que vou fazer agora??? Não posso proteger a cabeça de apenas 5 e deixar um desprotegido!!!
Então o velhinho pegou a toalha com que havia limpado as estátuas, colocou na cabeça do sexto Jizo Sama e lhe disse:
- Me perdoe, pois faltou um chapéu... Mas não posso partir e deixar você desprotegido, por isso colocarei essa toalha em sua cabeça.
E continuou sua caminhada de volta para casa...
Chegando em casa, a esposa viu que seu marido estava sem os chapéus e ficou feliz, achando que ele havia vendido todos!!! O marido meio sem jeito disse:
- Na verdade eu não vendi nenhum, apesar da cidade estar cheia de pessoas...
- Mas então, onde estão os chapéus??? - perguntou a esposa.
- Eu encontrei as estátuas de Jizo Sama no caminho e como a neve estava muito forte, deixei com eles para que se protejam.
Sua esposa ficou orgulhosa de seu marido e disse:
- Que gesto nobre!!! Passaremos o Ano Novo sem comida, mas o mais importante é que, apesar de sermos pobres, temos uma casa para nos proteger do frio e vivemos com saúde!!!
A noite chegou... Já estavam deitados, quando ouviram vozes:
- Entrega de Ano Novo!!! Onde é a casa do vendedor de chapéu??? Abra a porta vendedor!!!
Levantaram correndo e ao abrir a porta depararam-se com muitos sacos de arroz e comidas em abundância para passar o Novo Ano com a mesa farta!!! Havia um bilhete escrito: "Obrigado por seus chapéus. Nós estamos retribuindo sua boa ação, com esses mantimentos. Feliz Ano Novo!!!"
Olharam em volta e viram 6 vultos caminhando sobre a neve... Eles estavam usando seus chapéus e concluiu ser as estátuas de Jizo Sama.
Felizes da vida, chamaram os ratinhos e começaram a preparar a comida. A mesa estava farta e quando preparavam-se para comer o velhinho disse:
- Obrigado Jizo Sama!!! Esse será o melhor Ano Novo de nossas vidas!!!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Cultura Japonesa: Hinamatsuri, o dia das meninas no Japão

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As famílias japonesas comemoram o dia das meninas montando altares com bonecas para pedir saúde e felicidade às garotas
por Redação Made in Japan
03.03.2009

Em Tomisaki, na província de Ehime, foi construído um altar gigante com centenas de bonecas Em Tomisaki, na província de Ehime, foi construído um altar gigante com centenas de bonecas O Dia das Meninas, que acontece todo dia 3 de março, no Japão, teve diversas comemorações por todo o território nipônico. Neste dia, costuma-se pedir que as meninas cresçam com saúde e consigam arranjar um bom casamento, quando crescerem.

Conhecido também como Hinamatsuri, a data tem como ritual a montagem de altares com panos vermelhos em degraus, chamados de hinadan, onde são dispostas bonecas, que representam a família imperial, os serviçais e os músicos.

Todos vestidos com trajes tradicionais do período Heian (794 - 1185). Mas em Tóquio, meninos e meninas, vestidos com trajes típicos japoneses, montaram um altar vivo.

Boneco do presidente dos EUA Barack Obama enfeita um dos hinadanBoneco do presidente dos EUA Barack Obama enfeita um dos hinadanJá a companhia aérea JAL resolveu inovar e fez um vôo especial com suas funcionárias mulheres. O único homem da tripulação era o piloto.

A empresa tem 81 mulheres que trabalham na manutenção dos aviões, 31 atendentes de bordo e 4 co-pilotas. Segundo a companhia, é possível que uma mulher seja promovida a capitã de vôo, mas ainda não há uma data prevista.

Hina Matsuri no Brasil
Os brasileiros também poderão sentir a alegria dessa festa. Isso porque o Pavilhão Japonês, em São Paulo, organizará o 5º Festival Hinamatsuri, nos dias 7, 8 e 11 de março, das 10h às 17h.

O evento terá exposição de kokeshi, bonecas tradicionais japonesas de madeira, e dois conjuntos de Hinadan. A música fica por conta da apresentação de koto com o Grupo Seiha da professora Tamie Kitahara.

Os visitantes ainda poderão participar de oficinas de origami e oshibana (arte com flores desidratadas e prensadas), brincadeiras tradicionais e ter a chance de tirar fotos vestindo quimonos tradicionais.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Cultura Japonesa: Lamen

Dinner - 1st Lamen Pictures, Images and Photos

Ramen (ラーメン, らーめん, 拉麺, Ramen?) ou Lámen, é um alimento japonês de origem chinesa composto por filamentos longos de massa alimentícia com ervas e legumes temperados com carne de porco ou peixe de água-doce.

Caldo
Usam-se basicamente a carcaça e asas de frango, e opcionalmente ossos de porco (bisteca, costela etc.). A carcaça e os ossos devem ser pré-fervidos para eliminar um pouco de sangue e eventual gordura (este procedimento é mais preventivo em relação à qualidade de material que está sendo usado. A água quente não deve ser reutilizada). Levar uma panela (de preferencia de ferro, evitando ao máximo o uso de panela de alumínio, por questão de saúde) ao fogo. Acrescentar óleo (soja, milho, girassol, etc.) e aquecer até sair um pouco de fumaça. Adicionar gengibre picado (ou amassado com faca) e pedaços de cebolinha (+ 10 cm de comprimento) amassados com faca e refogá-los. Acrescentar a carcaça de frango e ossos de porco até dourar. Acrescentar água e deixar ferver, inicialmente em fogo forte (+ de 20 min. a meia hora) e depois, em fogo fraco. Folha de louro dá um toque especial ao caldo. É importante não tampar a panela durante todo o preparo de caldo, para mantê-lo transparente, assim como limpar cuidadosamente toda a espuma e gordura que sobe à superfície. Cozinhar até o caldo chegar a 2/3 ou menos do volume inicial (+ 2 horas). Retirar os ossos e a carcaça. Peneirar o caldo, ou filtrá-lo com pano ou gaze. Nunca deixar os ossos e a carcaça dentro do caldo. Acrescentar água somente quando o caldo se tornou demasiado concentrado.

Obs.: Para aqueles que querem evitar ao máximo o uso de óleo, o caldo pode ser preparado sem refogar os ingredientes, levando-os diretamente à água fervente, acrescentando-se um pouco de saquê.

Shiitake seco ou natural, pode ser acrescentado no preparo do caldo básico assim como “pó de peixe seco”, dependendo da criatividade de cada um. Obs.: para aquelas pessoas que têm pouco tempo, o preparo do caldo pode ser abreviado com o uso de carcaça de frango e um cubinho de concentrado de sopa.

Tipos de Caldos
Temperando o caldo Basicamente são três os modos de temperar o caldo de “Ramen”: Sal ou “Shio-Ramen”, molho de soja ou “Shoyu-Ramen” e pasta de soja ou “Misso-Ramen”.

Shio-Ramen
Levar ao fogo o caldo básico, deixar ferver. Acrescentar saquê (caso não tenha sido utilizado no caldo básico), sal (+ 2 colheres de chá para 8 copos de sopa), pimenta do reino em pó, óleo de gergelim, uma pitada de “shoyu” e opcionalmente, “pó de peixe seco” e molho de ostra. O caldo deve estar um pouco “salgado” ao paladar, quando for provado sem o macarrão, isto é, quando ele estiver “delicioso” significa que vai faltar um pouco de sal quando acrescentados outros ingredientes.

Shoyu-Ramen
Levar ao fogo o caldo básico, deixar ferver. Acrescentar “shoyu”, “mirin” ou saquê, sal (muito pouco), pimenta do reino, óleo de gergelim, “pó de peixe seco” e opcionalmente, molho de ostra. A exemplo de “Shio-Ramen”, o caldo deve estar um pouco “salgado” ao paladar.

Misso-Ramen
Levar ao fogo o caldo básico, deixar ferver. Acrescentar o “misso” a gosto, “mirin” ou saquê, “pó de peixe seco”, óleo de gergelim. Opcionalmente, os caldos podem ser acrescidos de alho e/ou cebola refogados, sendo o primeiro, bem dourado, enquanto a segunda deve ser levemente dourada.

Note-se que as ordens de preparo dos ingredientes podem ser alteradas, conforme a preferência. Portanto, quem gosta, por exemplo, de alho, poderá acrescentá-lo já no preparo do caldo básico, assim como a cebola, o shiitake, etc.

Outros Ingredientes
Outros ingredientes A seguir citaremos algumas sugestões de ingredientes para “Ramen”, lembrando-se que o mesmo pode ser “personalizado” conforme o gosto e preferência pessoal, sendo praticamente ilimitada a sua variedade: “Tyashu-Ramen” (Ramen acompanhado de lombo), “Yasai-Ramen” (Ramen com verduras e legumes), “Ebi-Ramen” (Ramen de camarão), “Kani-Ramen” (Ramen de caranguejo), “Gyoza-Ramen”, Ramen de frutos do mar, etc., etc..

Tyashu
Um dos mais tradicionais acompanhamentos de Ramen, o lombo, pode ser preparado basicamente de duas maneiras: Cozido: menos enjoativo que o lombo assado, o lombo (600g) é inicialmente amarrado com linha grossa ou barbante, com + 5cm de diâmetro. Corta-se uma cebolinha grossa, de preferência a parte branca, de uns 15 cm, amassando-a com a faca. Amassa-se também, um pedaço de gengibre (1 x 2 x 0.2 cm aprox.). Ferver água numa panela e acrescentar o lombo, cebolinha, gengibre, sal ( uma colher de chá) e saquê ou “mirin” (uma colher de sopa). Retirar toda a espuma que se forma na superfície e deixar cozinhando por meia hora. Espetar um espeto de bambu e aguardar se daquele furo não sai um caldo avermelhado; se isto ocorrer, é sinal de que o lombo ainda está cru por dentro. Quando a peça parar de “sangrar”, o lombo está pronto para o consumo. O mesmo procedimento pode ser feito para uma peça de carne bovina. Neste caso, um pouco de “sangramento” pode ser ignorado. Assado: pode ser feito no forno, ou numa panela de tamanho médio. Para se evitar um odor forte de lombo, sugere-se deixá-lo descansando durante uma hora com um pouco de sal e “mirin”. A exemplo de lombo cozido, a peça deve ser amarrada com uma linha grossa ou barbante. Preparar também cebolinha (de preferência a parte branca) e gengibre amassados com faca. Colocar na panela ou tacho chinês, três colheres de óleo comum, acrescentar, após fervura do óleo, os três ingredientes acima citados. Para 600g de lombo, preparar um tempero com “shoyu” (3 colheres de sopa), açúcar (2 colheres de chá), saquê (1 colher de sopa), óleo de gergelim (1 colher de chá), água (1 copo) e maizena (1 colher de chá). Pode-se utilizar “mirin” no lugar de saquê, diminuindo um pouco o açúcar. Em ambos os casos, o lombo deve ser fatiado em pedaços bem finos. “Menma” ou broto de bambu - ambos devem ser bem lavados tirando-se o sal. Aquecer óleo numa frigideira, e acrescentar a seguir: 250 g de “menma” ou broto de bambu cortado em tiras de 5 x 0,5cm aprox. e temperar com o caldo básico (1 copo) , “shoyu” (4 colheres de sopa), açúcar (1 colher de sopa) e óleo de gergelim (3 colheres de sopa), refogando-os até eliminar o líquido em fogo médio.

Espinafre japonês - as verduras em geral (espinafre, brócoli, etc.) dão um toque colorido ao Ramen, ao mesmo tempo em que tornam o prato mais balanceado em termos nutritivos. Um maço de espinafre japonês deve ser bem lavado. Aquecer óleo (3 colheres de sopa) numa frigideira, acrescentar a seguir o espinafre para ser refogado. Adicionar sal (1 colher de chá) e um copo de água. Abafar com uma tampa e deixar cozinhar por 1 a 2 minutos. O espinafre deve ser enxuto para o uso.

Moyashi
Moyashi deve ser, de preferencia, limpo, isto é, sem o broto amarelo e o “rabinho”, e mergulhado por poucos segundos (para não perder a rigidez) numa panela com água fervente. O mesmo procedimento vale para “shimeji” e “shiitake” naturais.

Lula, camarão, frango, etc. A lula deve ser cortado em pedaços de aproximadamente 3 x 3cm, aplicando-se aos mesmos, cortes quadriculados de 2 x 2mm numa das faces. Ferver com pouco sal. O camarão grande deve ser descascado, mantendo-se o rabo e, limpo, tirando-se o intestino. O camarão pequeno deve ser totalmente descascado, sem rabo. Ambos podem ser refogados com pouco sal durante pouco tempo, para que não encolha e endureça. O frango (peito, sobrecoxa, coxa) pode ser temperado a exemplo do lombo assado. O caranguejo deve ser cozido com casca, e descascado, utilizando-se, de preferência, as patas que tem boa concentração de carne. Refogar com sal, pouco açúcar, óleo de gergelim e saquê. O “gyoza” deve ser cozido por alguns minutos na água fervente ou no próprio caldo de Ramen. Os ovos cozidos de galinha ou codorna dão um toque especial ao Ramen. O ovo de galinha deve ser servido cortado ao meio (meio ovo para cada prato). Ervilhas e “shungiku” podem ser preparados a exemplo de espinafre e acrescentar o verde ao prato.

Cebolinha picada é quase imprescindível em qualquer Ramen, assim como “kamaboko”.

Grãos de milho cozidos combinam muito bem, principalmente com o “Misso-Ramen”. Na ausência de lombo ou frango, podem ser acrescentados uns pedaços de presunto... Vários são os temperos opcionais que podem ser acrescentados ao Ramen na hora de ser servido: Gergelim branco, torrado. Gengibre picado ou ralado. “Tobanjan” - tempero chinês a base de missô e pimenta. Pimenta vermelha picada. Alho torrado ou cru, picado ou ralado.

Para “Missô-Ramen” experimente acrescentar um pouco de nabo ralado. Para melhorar a aparência do prato, coloca-se cada ingrediente sobre o macarrão separadamente, por ordem de tamanho maior para menor, acrescentando por último um punhado de cebolinha picada.

Obs.: para todos os pratos, o caldo deve ser sempre abundante. Para “Shio-Ramen” e “Shoyu-Ramen” costuma-se jogar uma pitada de pimenta do reino em pó antes de servir.

domingo, 10 de maio de 2009

Lendas Japonesas - Issunboshi

chibi anime boy bandage Pictures, Images and Photos
Há muito tempo atrás vivam um casal...
Eles formavam um par perfeito, mas apesar do Amor que sentiam um pelo outro, faltava-lhes um filho...
Certo dia, foram a um templo e oraram: Nós agradecemos pela nossa Felicidade e pelo nosso grande Amor, mas falta-nos um filho para que a nossa Felicidade seja completa!!! Por favor, ajude-nos... Precisamos de um filho, uma criatura bem pequenina para que possamos dividir o nosso Amor e Carinho!!!
Pouco tempo depois, sua esposa engravidou e tiveram um lindo menino... Mas estranhamente, ele
nasceu com apenas 3 cm...
Isso não importa!!! O Importante é que agora nossa Felicidade está completa!!! - dizia o casal. Vamos chamá-lo de Issunboshi.
O tempo passou e o pequeno garoto não crescia nem um centímetro sequer. Um dia, Issun disse aos pais que desejava ir até a cidade e conseguir muito dinheiro, para que pudesse dar uma vida mais digna à eles. Seus pais ficaram preocupados, mas aceitaram seu pedido, afinal apesar do tamanho, já era maior de idade.
Para ajudar o filho, pegaram uma agulha de costura, para servir-lhe de espada. A tigela de arroz, serviria como um barquinho e o par de palitos, serviria de remos.
Issunboshi foi até a margem do rio, montou em sua tigela e partiu...
Chegando a cidade, andou de um lado para o outro, desviando-se das pessoas, tomando cuidado para não ser esmagado por elas. Andou por muitas horas, até que encontrou uma mansão e resolveu pedir emprego ao proprietário. Então Issun aproximou-se e gritou: Por favor senhor, preciso lhe falar...
O homem olhou para a porta e não viu ninguém... De repente, ouviu novamente a voz: Senhor, eu estou aqui em baixo... em cima do tamanco!!!
O homem então, pegou Issunboshi e colocou-o na palma de sua mão para que pudesse enxergar melhor
o pequeno rapaz... Issun então lhe disse: Estou aqui a procura de um emprego, por favor, preciso trabalhar para poder ajudar meus pais.
O homem instantaneamente gostou de Issun e sua filha achou-o uma gracinha, então decidiram empregar aquele pequeno rapaz. Issunboshi e a menina tornaram-se grandes amigos e ele ajudava-a em tudo.
Um dia, a menina pediu ao pequeno jovem que a acompanhasse até o templo de Kiyomizu, pois precisava pagar uma promessa... No meio da estrada, depararam-se com dois monstros que impediam seu caminho. Issun foi ao ataque, mas o monstro pegou o pequeno rapaz e... engoliu!!!
Issun então, com sua agulha começou a espetar o
estômago do monstro e ele por sua vez, sentindo muita dor...
Espetou aqui e ali, até que conseguiu sair pela boca do terrível monstro. Então começou a espetar seus olhos, seu nariz e o monstro desmaiou de tanta dor... O outro, com medo saiu correndo,
deixando cair seu martelo.
A menina então correu, pegou o martelo e disse a Issunboshi: Esse é um Martelo Mágico!!! Se você fizer um pedido, ele virá em dobro para você!!! Peça dinheiro, saco de arroz e tudo virá em abundância!!!
Issunboshi então, respondeu: Não desejo ser rico e nem ter abundância de comida... Quero apenas ser grande!!!
A menina sacudiu o martelo e disse: Cresça... Cresça... Cresça!!!
Como num passe de mágica, Issun começou a crescer... crescer... crescer... Issunboshi tornou-se um homem grande, charmoso e muito bonito!!!
Voltou à sua terra natal e pegou seu pais para morarem junto com ele na cidade grande...
Algum tempo depois, Issunboshi e a linda menina casaram-se e viveram Felizes para Sempre!!!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Lendas Japonesas: Compra das luvas

Striped gloves Pictures, Images and Photos

(No Japão há a crença que as raposas e os texugos enganam os humanos. Transformam-se em outras coisas ou outros animais e que sabem fazer magia para transformar coisas, especialmente folhas de árvore, em notas ou moedas. Há muitas histórias antigas relacionadas com raposas e texugos.)

Era uma vez, uma mãe raposa e o seu filho que moravam numa floresta. O Inverno já tinha chegado e fazia muito frio lá.
Uma manhã, quando o raposinho estava quase a sair da toca, de repente caiu gritando e voltou-se para a mãe tapando os olhos com as mãos.
- Mãe, ó minha mãe! Fui espetado nos olhos! Foram picados! Tem alguma coisa nos meus olhos! Tira!Tira!
A mãe do raposinho ficou surpreendida e preocupada, tirou as mãos do filho dos olhos e olhou para eles. Mas, não encontrou nada. Estranhou, saiu da toca e compreendeu o que é que tinha acontecido. Lá fora, havia tanta neve e tão
branquinha! Estava a brilhar aos raios do sol. Como o filho não sabia o que era neve, pensou que os seus olhos tinha sido picados pelo brilho. Mas foi simplesmente a forte luz a refletir na neve. A mãe explicou isto e o filho ficou aliviado.
Começou a brincar com a neve. Esta era macia e semelhante ao algodão. Quando ele corria, os flocos de neve espalharam-se e apareceu um arco-íris. A seguir, ele ouviu atrás um grande barulho "Bbzz..." e de repente ele ficou coberto de tanta neve como
se fosse farinha. Espantado, quase caiu mas fugiu para um lugar afastado.
- O que é isto?
Virou-se para trás mas não encontrou nada. Não sabia que era a neve que tinha caído da árvore. A neve continuava a cair ali. Parecia uma linha de seda branca.
Voltou, então, o raposinho para a toca.
- Ó mãe, as minhas mãos estão frias, muito frias!" - disse o raposinho e mostrou as suas mãos
vermelhas e molhadas à mãe.
- Coitadinho!
A mãe deu-lhe um sopro quente e cobriu-as
ligeiramente com as suas mãos quentes.
- Já te vais sentir bem. Depois de mexer na neve, as mãos ficam frias mas aquecem em pouco tempo. Não te preocupes!! - dizendo isto, pensou que era melhor comprar umas luvas para o filho. Não queria que as mãos dele tivessem frieiras e planeou ir às compras à cidade nessa noite.
A noite chegou e começou a cobrir o campo e a floresta, mas a neve estava tão branca que iluminava a floresta. A mãe e o filho saíram da toca mas ela estava com um bocadinho de receio. O filho escondeu-se debaixo da barriga da mãe e começaram a caminhar para a cidade.
O filho estava com muita curiosidade porque era a primeira vez que saía da floresta. Viram uma luz em frente ao longe.
- Ó mãe, está lá uma estrela! - disse o raposinho.
- Não é uma estrela...
A mãe parou com medo no caminho.
- É a luz da cidade.
Quando a viu, ela lembrou-se de uma má experiência. Há algum tempo atrás, ela tinha ido à cidade com uma amiga. Nesse dia, a amiga tentou roubar um pato de uma casa apesar dos pedidos da raposa para que não o fizesse. Um homem descobriu-as e tentou apanhá-las, gritando. A mãe raposa teve muito medo e decidiu que nunca mais ia à cidade.
- Mãe....? Em que é que estás a pensar? Vamos ali agora! - disse o raposinho debaixo da barriga da mãe.
Mas ela não conseguiu avançar com o medo. Então, decidiu mandar o filho sozinho à cidade.
- Ó amor, dá-me a tua mão - disse a mãe. Em seguida pegou numa mão do raposinho, e ela transformou-a numa mão humana de criança. O raposinho olhou estranhamente para ela, abriu-a, fechou-a e cheirou-a repetidas vezes.
- Ó mãe, é estranho. O que é isto? - e olhou outra vez para ela sob o brilho da neve.
- É uma mão de humano. Ouve, amor. Quando fores à cidade, vais encontrar muitas casas de humanos. Primeiro, procura a loja que tem uma placa com um desenho de chapéu. Bata a porta ligeiramente e diz a palavra de cumprimento "Boa noite.". Então, lá dentro está um humano que vai abrir um bocadinho a
porta. Enfia a tua mão de humano no espaço da porta entreaberta e diz que queres umas luvas que fiquem
bem na tua mão. Compreendeste? Não enfies a outra mão - disse a mãe com a cara séria.
- Porquê, mãe? - perguntou o filho.
- Porque os humanos não vão vender umas luvas quando eles souberem que o cliente é um raposo. Além disso, vão apanhar-te e pôr-te numa jaula. Os humanos são realmente muito perigosos e horríveis -
disse a mãe.
- Ah é?
- Nunca mostres a tua mão de raposo. É esta, olha, é esta mão de humano que tens de mostrar! - disse a
mãe dando-lhe 2 moedas de cobre brancas para a mão humana.
O raposinho começou sozinho a caminhar na neve através do campo para a luz da cidade. Apareceu uma luz, depois duas... três... quatro.... e pouco a pouco a luz aumentou e por fim contou dez.
O raposinho pensou que as luzes vermelhas, azuis e amarelas eram como as estrelas. Entrou na cidade, mas já era noite e todas as lojas já estavam fechadas. Só conseguia ver as luzes das janelas altas que refletiam na neve. O raposinho procurou a placa com o desenho de um chapéu e caminhou, caminhou, caminhou.
Havia várias placas tal como de uma bicicleta e de óculos. Algumas eram novas e outras antigas. Ele não compreendeu o que significavam estas placas, pois era a primeira vez que ia à cidade.
Finalmente, encontrou uma placa com o desenho de um chapéu. Era uma placa com uma cartola preta e
grande. Estava iluminada com uma luz azul.
O raposinho bateu levemente à porta como a sua mãe já lhe tinha ensinado.
- Boa noite.
Então lá dentro fez-se algum som e alguém abriu um bocadinho a porta. Uma linha de luz espalhou-se na
terra, na neve branca. O raposinho ficou surpreendido porque esta luz era radiosa, e enganou-se na mão que devia mostrar. Enfiou a mão contrária na porta.
- Venda-me umas luvas que sejam próprias para esta mão.
O dono da chapelaria ficou surpreendido e duvidou. Era a mão de um raposo. Um raposo estava a pedir-lhe para vender umas luvas? Estará a tentar enganar-me? - pensou o dono.
- Primeiro, pague - disse o dono.
O raposinho deu 2 moedas de cobre.
Depois de as receber, o dono tocou nas moedas verificando o material e pensou que eram moedas
verdadeiras. Tirou umas luvas pequenas de lã do armário e passou-as para a mão do raposinho. Dizendo obrigado, o raposinho retomou o caminho de volta.
"A mãe disse que os humanos eram perigosos e horríveis, mas não são. Ele viu a minha mão e não me fez mal nenhum." - pensou o raposinho. E, por curiosidade, quis ver como era "o humano" pois ele ainda não o tinha visto.
Passou perto de uma janela. Ouviu uma voz de humano. Que bonita, que simpática, que generosa é esta voz!
- Dorme, dorme, na minha mama, Dorme, dorme, nos meus braços...
O raposinho acreditou que esta voz era de uma mãe humana porque a sua mãe também cantava para ele
sempre que adormecia...
Depois ouviu uma voz de criança.
- Ó mãe, acho que, esta noite com este frio, os raposinhos na floresta estão a chorar."
Então ouviu a voz da mãe:
- Os raposinhos na floresta também estão na toca a adormecer ouvindo a canção de mãe. Dorme, amor. Quem é que vai adormecer mais rápido? Tu ou o raposinho?"
De repente, o raposinho lembrou-se da sua mãe e correu para a sua casa o mais rapidamente possível.
Tinha muitas saudades da minha mãe. Quero ver a minha mãe!
A mãe do raposinho estava à espera dele, preocupada, tremendo de frio. Quando viu que o seu filho se dirigia a ela, ficou muito alegre e deu-lhe um abraço muito apertado.
A mãe e o filho voltaram para a floresta. A lua já estava iluminando com a sua cor prateada.
- Ó mãe, não tenho medo nenhum dos humanos.
- Sim? Porquê?
- Eu... enganei-me na mão que devia mostrar, mas o dono da chapelaria não me prendeu. E deu-me estas
luvas muito confortáveis.
Dizendo isto, bateu palmas com as luvas. A mãe ficou pasmada e falou para os seus botões.
- Afinal os humanos são simpáticos?! Os humanos são bons?!

domingo, 12 de abril de 2009

Lendas Japonesas: Como um velho perdeu sua verruga

Old man Pictures, Images and Photos

Há muito tempo atrás um velhinho morava com sua esposa perto de uma floresta. Na juventude ele fora um belo rapaz, mas à medida que envelhecia, uma feia verruga cresceu-lhe na face, ficando, com a idade, cada vez maior. Durante anos, recorreu a médicos e magos e experimentou pós e poções, mas nada adiantou. Por fim resignou-se com a verruga e tentava mesmo brincar a respeito.
Um dia, o velho precisou de lenha para o fogo; foi então para as montanhas e cortou algumas achas. Fazia um dia fresco de outono e ele se sentia tão feliz que nem viu as nuvens se adensarem. Quando caíram as primeiras gotas, correu a procurar abrigo. Encontrou uma árvore oca e lá se escondeu, no extao momento em que irrompeu a tempestade. Trovões sacudiam as montanhas e raios cintilavam ao seu redor; ele, porém, estava seco e seguro. Depois de muitas horas, a tempestada amainou e o velho saiu de seu refúgio. Ouviu vozes à distância e pensou que seus vizinhos tinham vindo à sua procura. Mas quando viu do que se tratava, pasmou horrorizado - uma horda de gnomos e demônios se aproximava!
Mais que depressa, volou para seu esconderijo na árvore, tremendo de medo. Os demônios chegaram e um dos gnomos - o mais horrendo de todos e obviamente o chefe - dirigiu-se ao seu bando, dizendo com um gesto:
- Vamos dar uma festa aqui.
Então o rei-demônio acomodou-se de costas para o velho, na frente da árvore oca. O pobre homem quase desmaiou de medo.
Os demônios organizaram rapidamente um piquenique e começaram a cantar. O velho observava atônito - nunca vira nada semelhante. Mas quando os demônios começaram a dançar, não pôde conter o riso. Eram desajeitados e deselegantes, e todos pareciam ridículos, dando coices para todo lado e caindo. Finalmente, o rei dos demônios com um gesto ordenou aos dançarinos que parassem.
- Vocês são ruins demais! - disse, se lastimando. - Não existe ninguém aqui que saiba dançar bem?
Ora, o velho adorava dançar e sabia dançar muito bem. - Eu poderia ensinar-lhe uns passos - pensou consigo mesmo, mas não ousava revelar sua presença, temendo que os demônios o matassem. O rei-demônio tornou a perguntar se alguém sabia dançar e o velho continuava dividido entre seu amor pela dança e seu medo dos demônios. O rei-demônio perguntou uma terceira vez e o velho mandou seus receios às favas.
Saiu da árvore e curvou-se perante o chefe dos demônios.
- Eu sei dançar, meu senhor - disse e começou a fazê-lo.
Os demônios ficaram escandalizados por terem um homem em seu meio, mas, bem logo, admiraram a arte do velho. Começaram a marcar o ritmo com seus cascos, acompanhando a música e alguns se juntaram ao velho. Por sua vez, o velho sabia que sua vida dependia de ele dançar bem, de forma que pôs toda sua alma e todo seu coração em seus movimentos e divertiu-se, realmente. Quando parou, o rei-demônio aplaudiu e convidou-o a sentar-se ao seu lado, oferecendo-lhe um copo de vinho.
- Você precisa voltar amanhã para dançar para nós - o rei-demônio disse.
- Gostaria muito de vir - respondeu o velho.
Um dos conselheiros do rei admoestou-o. - Não se ode confiar nos homens. Precisamos ficar com algo que nos dê certeza de que ele vai voltar. - Infelizmente, o velho nada trazia de valor consigo.
- Bem, então - o rei-demônio disse - vou ficar com isto como penhor - e, estedendo a mão, agarrou a verruga do velho e arrancou-a com a facilidade de quem arranca um pessêgo maduro.
- Trate de voltar amanhã - ordenou, e todos os gnomos desapareceram.
O velho mal podia acreditar no que acontecera. Passou a mão pelo rosto e percebeu o quão suave - e simétrico! - estava. Ficou tão feliz, que foi para casa pulando, cantando - e dançando - durante todo o trajeto. A esposa, ao vê-lo livre da verruga, mostrou-se eufórica e ambos celebravam sua boa sorte.
Ora, o velho tinha um vizinho malvado e vaidoso que também tinha uma verruga e que nunca se cansara de procurar um tratamento para ela. Quando soube da celebração, foi espiar e ficou perplexo ao ver que a verruga do velho havia sumido. este homem invejosos imediatamente perguntou o que acontecera e o velho lhe contou a história dos demônios. O vizinho, então, insistiu para ir vê-los, no dia seguinte, em lugar do velho.
No dia seguinte, pois, o vizinho vaidoso rumou para as montanhas e encontrou a árvore oca, exatamente como o velho lhe dissera. E, sem sombra de dúvida, ao anoitecer, o bando de demônios apareceu.
- Onde está o velho que ia dançar para nós? - o rei-demônio perguntou. O mau vizinho rastejou para fora da árvore, tremendo de pavor. - Aqui estou! - disse e começou a dançar. Ele, no entanto, nunca havia aprendido a dançar; considerava a dança aviltante à sua dignidade de forma que apenas pulava de um lado para outro, agitando os braços. Ele achava que os demônios não iriam notar a diferença, porém o rei ficou ofendido.
- Mas que coisa horrível! - o rei-gnomo exclamou. - Você não está dançando como ontem! - O rei não atinara que estava tratando coim outra pessoa porque, a seu ver, todos os humanos eram iguais. - Não dá para agüentar! - o rei-demônio gritou, afinal. Vasculhou o bolo e encontrou a verruga.
- Olhe, devolvo-lhe o penhor.
Dizendo isso, atirou a verruga no homem vaidoso e esta grudou-lhe no rosto e não havia dúvida: tinha duas verrugas, uma em cada face! Esgueirou-se para dentro de casa bem mais trade da noite, e ninguém viu sua cara nunca mais porque, desse dia em diante, passou a usar um chapéu de abas largas, bem enfiado na cabeça.
Quanto ao velho que perdeu sua verruga, ele viveu ainda muito tempo e dançava quando se sentia feliz. O que, na verdade, acontecia quase sempre!